Os marcadores tumorais (ou marcadores biológicos) são macromoléculas presentes no tumor, no sangue ou em outros líquidos biológicos, cujo aparecimento e ou alterações em suas concentrações, estão relacionados com a gênese e o crescimento de células neoplásicas.

 

Tais substâncias funcionam como indicadores da presença de câncer, e podem ser produzidas diretamente pelo tumor ou pelo organismo, em resposta à presença do tumor. Os marcadores tumorais, em sua maioria, são proteínas ou pedaços de proteínas, incluindo antígenos de superfície celular, proteínas citoplasmáticas, enzimas e hormônios.

 

Os marcadores tumorais fornecem informações sobre o tumor e como ele poderá reagir aos diferentes tipos de tratamento.

 

Aplicações clínicas

  • Triagem em casos específicos, como em grupos de alto risco, associado a exames complementares.
  • Diagnóstico diferencial em pacientes sintomáticos.
  • Indicação de prognóstico.
  • Localização de metástases.
  • Comprovação da efetividade do tratamento.
  • Monitorização da resposta terapêutica.
  • Detecção precoce de recidiva.
  • Radiolocalização.
  • Imunoterapia.

Marcadores tumorais utilizados em pacientes com câncer de mama

 

CA 15.3

 

É o marcador tumoral por excelência do câncer de mama, é o mais sensível e específico. Quando associado com outros marcadores, como CEA, por exemplo, é importante para a escolha do seguimento do tratamento.

 

Na fase inicial, apenas 23% dos casos apresentam aumento. A elevação do CA 15.3 após o tratamento indica recorrência ou metástase antes do paciente apresentar evidências clínicas. No acompanhamento clínico, um aumento de mais de 50% precede diagnóstico clínico de metástase. A grande utilização do CA 15-3 é para o diagnóstico precoce de recidiva, precedendo os sinais clínicos em até 13 meses.

 

HER2/neu

 

HER2/neu é um tipo de proteína. Os Tumores de mama que produzem o HER2/neu tendem a crescer rapidamente e parecem se espalhar com mais freqüência para outras partes do corpo. Os médicos podem testar o tecido do câncer de mama retirado durante a biópsia para verificar se as células cancerígenas produzem HER2/neu. Se produzirem, o médico poderá sugerir que o tratamento desse câncer seja com uma droga que especificamente ataca as células do câncer de mama que produzem HER2/neu.

 

CEA - Antígeno Carcinoembrionário

 

O CEA é o protótipo dos marcadores tumorais e tem sido intensivamente investigado desde sua identificação, em 1965, por Gold e Freedman.

 

É uma proteína normalmente encontrada em pequenas quantidades no sangue de pessoas saudáveis, mas ela se torna elevada em algumas pessoas que têm câncer. Por exemplo, um nível elevado de CEA tem sido achado em mais da metade das pessoas que têm câncer de cólon, pâncreas, estômago, pulmão ou mama. Muitas vezes, um aumento dos níveis de CEA pode sugerir que o tratamento atual não está funcionando.

 

MCA

 

O Mucin-like carcinoma associated antigen (MCA) é uma glicoproteína utilizada como marcador tumoral para o câncer de mama. Tem boa correlação com o CA 15.3, sendo útil na avaliação prognóstica e no controle terapêutico.

 

CA 27,29

 

Similarmente ao antígeno CA 15–3, o CA 27,29 é encontrado no sangue da maioria dos pacientes de câncer de mama. Exames seriados de CA 27,29 podem auxiliar o médico a verificar se o tratamento está funcionando. Após o término do tratamento, auxiliam na detecção da recorrência da doença. O nível de CA 27–29 pode ser usado juntamente com outros procedimentos, tais como mamografias e medidas de outros níveis de marcadores tumorais, para controlar a recorrência em mulheres previamente tratadas.

 

Receptores hormonais (Receptores de estrogênio e progesterona)

 

Os receptores hormonais ligam hormônios que exercem o seu efeito no núcleo da célula. Um dos efeitos do estrogênio é induzir a expressão da progesterona. A maioria dos carcinomas de mama é receptor de estrogênio e receptor de progesterona positivo. Apenas 5% dos tumores receptores de progesterona positivos são receptores de estrogênio negativos. O status dos receptores hormonais tem valor prognóstico no tempo livre de doença, tempo livre de metástases e sobrevida total. Além disso, a ablação do estrogênio tem impacto em um grupo de pacientes com câncer de mama e a resposta ao tratamento tem correlação com a expressão do receptor.

 

CA 125

 

A proteína CA 125 é produzida por uma variedade de células, particularmente por células de câncer de ovário. É o marcador tumoral utilizado principalmente para o câncer de ovário, sendo também útil para o câncer de endométrio e endometriose.

 

O antígeno carboidrato é formado por uma glicoproteína de alto peso molecular, detectado por um anticorpo monoclonal. Atualmente, a principal aplicação do CA 125 é permitir o seguimento da resposta bioquímica ao tratamento e predizer a recaída em casos de câncer epitelial de ovário. É importante dizer que o resultado normal ou negativo do CA 125 não garante a ausência de câncer.

 

CA 19.9

 

É indicado como marcador tumoral do trato gastrointestinal, em câncer de pâncreas e trato biliar como primeira escolha e no colorretal como segunda escolha. O CA 19.9 é um carboidrato de superfície celular, também conhecido como antígeno de Lewis.

 

Catepsina D

 

A catepsina D é uma endoprotease lisossomal ácida, encontrada em praticamente todas as células dos mamíferos, sendo um marcador tumoral muito estudado em câncer de mama. Pesquisas recentes sugerem que as células de câncer de mama que contêm Catepsina D são mais suscetíveis de se espalhar do que as células que não contêm a proteína.