Dr. Waldemir Washington RezendeMédico Assistente responsável pelo Setor de Ginecopatias e Cirurgia Oncológica em Obstetrícia, da Divisão de Obstetrícia do Instituto Central do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (ICHC-FMUSP). (Jan/2001 a set/2008).


 

O que são calcificações mamárias? E as microcalcificações?

 

As calcificações representam acúmulo de cálcio em áreas da mama com alterações benignas. Por exemplo, os cistos nas mamas, resultado da atuação dos hormônios ovarianos, responsável pela dor e inchaço das mamas no período pré-menstrual pode acumular cálcio que aparecem como “pedrinhas” isoladas, em geral puntiformes, na mamografia.

 

As microcalcificações, quando agrupadas, ou seja, concentradas em áreas específicas, associadas a nódulos em formato de x, y, contornos irregulares pode ser causadas por tumores em 20% dos casos. Nesse caso, a mamografia é considerada suspeita e exige a retirada desse setor para análise.

 

A presença de uma calcificação numa mamografia significa a presença de câncer de mama?

 

Calcificações isoladas, grandes, em forma de pipoca não são importantes. As microcalcificações agrupadas, mais de 10 em um mesmo local são malignas em 20% dos casos. Quando associadas a nódulos espiculados a chance de câncer é de 80%. A análise das microcalcificações depende do conjunto de dados: exame das mamas e ultra-sonografia, aliando informações sobre os antecedentes familiares.

 

Existe a possibilidade de um diagnóstico de biópsia como apenas microcalcificações, e mais tarde vir a desenvolver o câncer de mama?

 

Somente se, ao analisar detalhadamente essas microcalcificações, o resultado anatomopatológico informar a existência de doença pré-maligna como atipias nas células ao redor das microcalcificações ou hiperplasia (ductal ou lobular), exigindo uso de anti-hormônios (tamoxifênio) ou cirurgias profiláticas se os antecedentes familiares representarem risco de câncer no futuro.

 

Os implantes de prótese de silicone para aumento do volume das mamas prejudicam a identificação de lesões iniciais na mama?

 

Sim, se forem colocados em cima do músculo peitoral. Não, quando as próteses são colocadas atrás desse músculo. O radiologista experiente desloca a prótese e consegue realizar a mamografia com boa visualização da glândula mamária.

 

Até que ponto a prótese de silicone pode prejudicar o tratamento? Como contornar o problema?

 

A avaliação do caso depende do tamanho das mamas, antecedentes familiares, mamografia, ultra-sonografia mamária além da análise conjunta pelo mastologista e cirurgião plástico

 

Em pacientes com próteses de silicone qual dos exames de imagem (Mamografia, Ultra-som ou Ressonância Magnética) é indicado para a detecção precoce?

 

Os três exames são úteis. O momento da realização e a periodicidade dos exames dependem de cada caso específico.

 

Um fibroadenoma pode se transformar em câncer?

 

Quase nunca. Fazendo-se uma biópsia com agulha (retirando-se um fragmento) e confirmando-se fibroadenoma, não se trata de câncer. O que pode ocorrer é a associação do fibroadenoma com câncer em suas proximidades, confundindo os diagnósticos.

 

O fibroadenoma calcificado nunca evolui para câncer.  Fibroadenomas estáveis, sem alteração por mais de três anos é benigno. Se os antecedentes familiares indicarem risco de câncer os nódulos devem ser extirpados.

 

Um cisto na mama pode se transformar em câncer?

 

Nunca. Em nenhuma hipótese. Somente nódulos sólidos ou microcalcificações agrupadas conduzem a suspeita de câncer.

 

As mulheres portadoras de cistos têm uma maior propensão a desenvolver um câncer de mama?

 

Não. Alterações fibrocísticas ocorrem em 80% das mulheres e não tem relação com câncer de mama.

 

O que são papilomas múltiplos?

 

Papiloma é uma doença benigna que pode ocorrer em qualquer idade e provoca sangramento que pode ser eliminado pela papila mamária, pela expressão do mamilo ou espontaneamente.

 

A imagem pela ultra-sonografia seria de nódulo sólido dentro do ducto mamário. Sempre deve ser retirado para confirmação diagnóstica. Quando aparecem em várias áreas chamamos de papilomatose múltipla, em geral, doença benigna. Quando surgem isoladamente, apesar de raro, podem representar um carcinoma.

 

O aumento do número de mulheres jovens com câncer de mama é um fato comprovado?

 

Sim. Basta acessar o site do INCA e acompanhar a evolução da doença em comparação com a idade do diagnóstico.

 

Que exames preventivos devem ser feitos em pacientes jovens?

 

Exame anual das mamas pelo mastologista, auto-exame mensal, ultra-sonografia anual após os 25 anos. Mamografia digital aos 30 anos se os antecedentes familiares forem importantes (mãe ou irmã com câncer de mama, principalmente se o diagnóstico ocorreu na pré-menopausa) ou aos 35 anos como triagem. Após o primeiro exame a periodicidade depende da interpretação médica de cada caso.

 

Com que idade a jovem deve procurar o mastologista?

 

Seguindo-se a orientação da resposta anterior.

 

E quanto às mulheres que têm histórico na família?

 

Se os antecedentes familiares incluírem mãe e irmã com câncer de mama com diagnóstico na pré-menopausa pode ser realizado o teste genético (BRCA1 e BRCA2) seria uma opção para avaliar o risco de câncer de mama no decorrer da vida.

 

Qual faixa etária que apresenta o maior risco?

 

Mulheres após os 40 anos de idade, nuligestas ou com o primeiro filho após os 30 anos.

 

Em que faixa etária existe a maior incidência?

 

Após os 50 anos de idade.

 

O que é hiperplasia mamária?

 

Seria conveniente diferenciar o desenvolvimento das glândulas mamárias exagerado ou mamas extremamente volumosas sem doença e que provocam desconforto ou até problemas na coluna pelo peso excessivo.

 

Se pensarmos em áreas isoladas, com análise microscópica das células a hiperplasia celular pode representar um fator de risco para câncer de mama. Nesse caso o seguimento deve ser mais rigoroso e até mesmo pensar em cirurgias oncológicas com reparo estético profilático (mastectomia subcutânea, ou seja, preserva-se a pele, retira-se a glândula mamária substituindo-a pelas próteses de silicone).

 

Fala-se muito da mastectomia preventiva bilateral, existe mesmo alguma certeza de que esta medida drástica evite a manifestação da doença?

 

A mastectomia preventiva bilateral remove o tecido mamário e pode reduzir em 100% caso seja radical (retirada da pele e toda a glândula mamária). O resultado estético deixa a desejar.

 

A mastectomia subcutânea remove 80 a 90% do tecido mamário, e diminui os riscos de câncer em 90%. O resultado estético pode ser excelente.

 

A maior indicação seria em caso do teste genético positivo (BRCA1 e BRCA2) e que representam menos de 5% dos casos de câncer.